quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Crítica: Um pequeno favor

O que esconde as aparências



Um pequeno favor (EUA, 2018), dirigido por Paul Feig (Caça-fantasmas), especifica a essência da personalidade humana e seu maniqueísmo quando se está em jogo a sobrevivência ao narrar uma trama complexa de manipulação entre duas novas amigas e o marido de uma delas.

Apesar do requinte técnico na fotografia e na locação principal (a mansão onde ocorre a maioria da situações), o longa-metragem esboça um suspense claudicante no formato e certa inverossimilhança em seu conteúdo em razão do tipo de narrativa equivocada que Feig imprime à trama e às performances razoáveis do trio central de protagonistas.

Blake Lively (Lanterna Verde), Anna Kendrik (Crepúsculo) e Henry Golding (estreante no cinema) atuam como se estivessem à vontade no filme, mas na verdade entregam um estilo frágil de interpretação, impulsionando uma falta de credibilidade em Um pequeno favor que bate na tela de forma gritante. Atores que podem render mais em produções futuras.

O tom farsesco da trama vai crescendo paulatinamente com o jogo de interesse e vilipêndio que um personagem com seu caráter distorcido tece na narrativa. A motivação central na obra é financeira e gera um triângulo amoroso sem empatia.

Acontece que, na empreitada, a antagonista que se mostra aparentemente frágil e seduzida pela sua personalidade selvagem e, ainda, pelo luxo que contempla, se revela uma boa investigadora e igualmente hábil em lidar com a situação, movida por sentimentos de justiça, autopreservação e lealdade que camuflam ideias rasteiras de inveja, cobiça e passionalidade pelo universo alheio que esconde em sua psique.

Semelhante ao insosso e decepcionante A garota no trem, de 2016, com Emily Blunt, esta nova produção se vale da mesma fórmula de abordagem fílmica, com pistas falsas para o espectador refletir. Seu clímax conota um resultado, igualmente, menor que se esperava e poderia render, provocando mais tédio que surpresas. 

Com reviravoltas forçadas demais, Um pequeno favor se revela uma narrativa policial desinteressante e que aborda de forma rocambolesca um microcosmo de uma elite sofisticada que ao sinal de um revés procura meios escusos para manter as aparências. Entretenimento razoável.

P.S.: Produção de gênero similar, Garotas selvagens, de 1998, com nomes como Neve Campbell e Matt Dillon em seu elenco, conseguiu um resultado mais vibrante.


Márcio Malheiros França

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